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Os perigos do uso indiscriminado de medicamentos e da automedicação no Brasil

Atualizado: 18 de nov. de 2025

A automedicação segue amplamente difundida no Brasil — 77% dos brasileiros que usaram medicamentos nos últimos meses recorreram a remédios por conta própria, sem orientação profissional. E, segundo reportagem do Jornal Nacional, esse cenário é ainda mais grave e cresce a cada ano: quase 90% das pessoas tomam medicamentos sem prescrição. Além disso, o hábito de buscar respostas na internet se intensificou — mais da metade consulta sites para interpretar sintomas, e quase 50% decide que remédio comprar com base nessas buscas. Ainda que difundida, essa prática representa perigos importantes para a saúde. A seguir, veja os principais riscos associados a ela:


Os principais riscos da automedicação


  1. Dosagem, tratamento ou medicamento inadequados

    Ao se automedicar, a pessoa pode usar dose errada, medicação imprópria para o seu caso ou por tempo insuficiente (ou excessivo). No estudo da CFF, 57% dos que receberam prescrição já alteravam a posologia por conta própria. Esse tipo de comportamento pode levar a resultados terapêuticos insatisfatórios ou até ao agravamento da condição de saúde.


  2. Efeitos adversos, interações medicamentosas e dependência

    Mesmo medicamentos com “aparente segurança” trazem riscos — alergias, efeitos colaterais inesperados, interações com outros medicamentos que a pessoa já toma. Alguns medicamentos, especialmente os controlados, exigem monitoramento ou acompanhamento contínuo, o que não ocorre na automedicação.


  3. Uso de antibióticos e resistência microbiana

    Quando antibióticos ou outros fármacos específicos são usados sem supervisão, há risco de tratamento inadequado, e isso favorece a resistência aos antimicrobianos — tema relevante de saúde pública.


  4. Armazenamento inadequado e desperdício

    Muitas famílias mantêm um estoque de remédios em casa com medicamentos vencidos, guardados em local impróprio (umidade, calor, acesso fácil para crianças) — o que pode comprometer a eficácia ou até aumentar o risco de acidentes. Além disso, o descarte incorreto de remédios tem impacto ambiental e de saúde pública.


  5. Mascaramento de sintomas e auto diagnóstico errado

    A automedicação muitas vezes resolve “temporariamente” um sintoma (como dor ou febre) sem tratar a causa. Isso atrasa o diagnóstico adequado e pode levar a complicações.



O que significa “uso racional” de medicamentos


Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) e políticas nacionais de saúde, uso racional significa que os pacientes recebem medicamentos adequados às suas necessidades clínicas, em doses que atendam às suas necessidades individuais, durante o tempo necessário, ao menor custo possível.

Quando a automedicação ignora fatores como diagnóstico preciso, dose individualizada, acompanhamento ou monitoramento — estamos diante de uso indevido ou irracional.


A importância da atuação profissional e da farmácia de manipulação


Quando falamos em segurança e eficácia no tratamento medicamentoso, dois elementos fazem toda a diferença: a atuação de um profissional de saúde e a possibilidade de personalização oferecida pela farmácia de manipulação — a chamada farmácia magistral —, que permite adequar o medicamento às necessidades individuais.


Por que vale destacar esse par profissional + farmácia magistral?

  • Porque o profissional qualificado (médico, farmacêutico, nutricionista ou equipe de saúde) atua como “filtro” essencial: ele avalia seu diagnóstico, considera seus outros medicamentos, suas comorbidades, sua idade, peso e estilo de vida. Sem isso, corre-se o risco de sub-tratar ou super-tratar, ou ainda usar algo que interaja negativamente com o que você já toma.

  • Porque a farmácia de manipulação, ao oferecer a personalização do medicamento — seja na dosagem, na forma de apresentação (xarope, cápsula, gel, etc.), na via de administração ou nos excipientes (ingredientes “inativos”) — permite um ajuste fino: o medicamento “se encaixa” melhor à sua necessidade, ao invés de você adaptar-se a algo padronizado. Essa personalização melhora a eficácia e reduz riscos indesejados.

  • Porque juntos eles promovem o uso mais racional e consciente do medicamento: com acompanhamento, você tem mais chance de usar o remédio no momento certo, na dose certa, pelo tempo certo — e com menor probabilidade de efeito adverso ou de uso indevido. Isso fortalece o que chamamos de “uso racional” de medicamentos.

  • Porque essa combinação ajuda a evitar os “atalhos” da automedicação — tomar algo por conta própria, sem profissionais, sem ajuste personalizado — que, como vimos, traz vários riscos (dose errada, interações, diagnóstico atrasado).


Alguns exemplos concretos de benefícios

  • Em pediatria, por exemplo, um medicamento manipulado pode ter sabor adaptado ou forma mais fácil de engolir, o que reduz rejeição e melhora a adesão ao tratamento.

  • Para pessoas com alergias ou intolerâncias (lactose, glúten, corantes, etc.), a farmácia magistral pode remover ou reduzir componentes que geram desconforto ou risco.

  • Para quem tem várias doenças ou medicação múltipla, pode-se fazer fórmulas combinadas ou adaptadas, o que facilita o regime terapêutico.



Conclusão

A automedicação pode parecer uma solução rápida, mas é um atalho perigoso. O verdadeiro cuidado com a saúde começa com informação, acompanhamento e responsabilidade no uso de medicamentos.

💡 Cuide da sua saúde com segurança. Antes de tomar qualquer medicamento, consulte um profissional e opte por tratamentos personalizados na Naturativa. Seu corpo merece esse cuidado.



Fonte: CONSELHO REGIONAL DE FARMÁCIA DO ESTADO DE SÃO PAULO (CRF-SP). Pesquisa aponta que 77% dos brasileiros têm o hábito de se automedicar. São Paulo, 2024. Disponível em: https://portal.crfsp.org.br/noticias/10535-pesquisa-aponta-que-77-dos-brasileiros-tem-o-habito-de-se-automedicar.html.

HOSPITAL ISRAELITA ALBERT EINSTEIN. Qual é o perigo da automedicação? Entenda os cuidados e riscos da prática. São Paulo, 2024. Disponível em: https://vidasaudavel.einstein.br/qual-e-o-perigo-da-automedicacao-entenda-os-cuidados-e-riscos-da-pratica/.

BIBLIOTECA VIRTUAL EM SAÚDE (BVS/MS). Automedicação. Ministério da Saúde, 2023. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/dicas/255_automedicacao.html.

UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA (UFPB). Uso indiscriminado de medicamentos e automedicação no Brasil. João Pessoa, 2023. Disponível em: https://www.ufpb.br/cim/contents/noticias/uso-indiscriminado-de-medicamentos-e-automedicacao-no-brasil..

PFIZER BRASIL. Os riscos da automedicação. São Paulo, 2023. Disponível em: https://www.pfizer.com.br/noticias/ultimas-noticias/os-riscos-da-automedicacao

CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM (COFEN). Lei determina realização de campanhas sobre riscos da automedicação. Brasília, 2024. Disponível em: https://www.cofen.gov.br/lei-determina-realizacao-de-campanhas-sobre-riscos-da-automedicacao/.

CENTRO UNIVERSITÁRIO INTERNACIONAL (UNINTER). Automedicação se torna um problema de saúde pública. Curitiba, 2023. Disponível em: https://www.uninter.com/noticias/automedicacao-se-torna-um-problema-de-saude-publica.

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