Os perigos do uso indiscriminado de medicamentos e da automedicação no Brasil
- Vanessa Aquino
- 3 de nov. de 2025
- 4 min de leitura
Atualizado: 18 de nov. de 2025
A automedicação segue amplamente difundida no Brasil — 77% dos brasileiros que usaram medicamentos nos últimos meses recorreram a remédios por conta própria, sem orientação profissional. E, segundo reportagem do Jornal Nacional, esse cenário é ainda mais grave e cresce a cada ano: quase 90% das pessoas tomam medicamentos sem prescrição. Além disso, o hábito de buscar respostas na internet se intensificou — mais da metade consulta sites para interpretar sintomas, e quase 50% decide que remédio comprar com base nessas buscas. Ainda que difundida, essa prática representa perigos importantes para a saúde. A seguir, veja os principais riscos associados a ela:

Os principais riscos da automedicação
Dosagem, tratamento ou medicamento inadequados
Ao se automedicar, a pessoa pode usar dose errada, medicação imprópria para o seu caso ou por tempo insuficiente (ou excessivo). No estudo da CFF, 57% dos que receberam prescrição já alteravam a posologia por conta própria. Esse tipo de comportamento pode levar a resultados terapêuticos insatisfatórios ou até ao agravamento da condição de saúde.
Efeitos adversos, interações medicamentosas e dependência
Mesmo medicamentos com “aparente segurança” trazem riscos — alergias, efeitos colaterais inesperados, interações com outros medicamentos que a pessoa já toma. Alguns medicamentos, especialmente os controlados, exigem monitoramento ou acompanhamento contínuo, o que não ocorre na automedicação.
Uso de antibióticos e resistência microbiana
Quando antibióticos ou outros fármacos específicos são usados sem supervisão, há risco de tratamento inadequado, e isso favorece a resistência aos antimicrobianos — tema relevante de saúde pública.
Armazenamento inadequado e desperdício
Muitas famílias mantêm um estoque de remédios em casa com medicamentos vencidos, guardados em local impróprio (umidade, calor, acesso fácil para crianças) — o que pode comprometer a eficácia ou até aumentar o risco de acidentes. Além disso, o descarte incorreto de remédios tem impacto ambiental e de saúde pública.
Mascaramento de sintomas e auto diagnóstico errado
A automedicação muitas vezes resolve “temporariamente” um sintoma (como dor ou febre) sem tratar a causa. Isso atrasa o diagnóstico adequado e pode levar a complicações.
O que significa “uso racional” de medicamentos
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) e políticas nacionais de saúde, uso racional significa que os pacientes recebem medicamentos adequados às suas necessidades clínicas, em doses que atendam às suas necessidades individuais, durante o tempo necessário, ao menor custo possível.
Quando a automedicação ignora fatores como diagnóstico preciso, dose individualizada, acompanhamento ou monitoramento — estamos diante de uso indevido ou irracional.
A importância da atuação profissional e da farmácia de manipulação
Quando falamos em segurança e eficácia no tratamento medicamentoso, dois elementos fazem toda a diferença: a atuação de um profissional de saúde e a possibilidade de personalização oferecida pela farmácia de manipulação — a chamada farmácia magistral —, que permite adequar o medicamento às necessidades individuais.
Por que vale destacar esse par profissional + farmácia magistral?
Porque o profissional qualificado (médico, farmacêutico, nutricionista ou equipe de saúde) atua como “filtro” essencial: ele avalia seu diagnóstico, considera seus outros medicamentos, suas comorbidades, sua idade, peso e estilo de vida. Sem isso, corre-se o risco de sub-tratar ou super-tratar, ou ainda usar algo que interaja negativamente com o que você já toma.
Porque a farmácia de manipulação, ao oferecer a personalização do medicamento — seja na dosagem, na forma de apresentação (xarope, cápsula, gel, etc.), na via de administração ou nos excipientes (ingredientes “inativos”) — permite um ajuste fino: o medicamento “se encaixa” melhor à sua necessidade, ao invés de você adaptar-se a algo padronizado. Essa personalização melhora a eficácia e reduz riscos indesejados.
Porque juntos eles promovem o uso mais racional e consciente do medicamento: com acompanhamento, você tem mais chance de usar o remédio no momento certo, na dose certa, pelo tempo certo — e com menor probabilidade de efeito adverso ou de uso indevido. Isso fortalece o que chamamos de “uso racional” de medicamentos.
Porque essa combinação ajuda a evitar os “atalhos” da automedicação — tomar algo por conta própria, sem profissionais, sem ajuste personalizado — que, como vimos, traz vários riscos (dose errada, interações, diagnóstico atrasado).
Alguns exemplos concretos de benefícios
Em pediatria, por exemplo, um medicamento manipulado pode ter sabor adaptado ou forma mais fácil de engolir, o que reduz rejeição e melhora a adesão ao tratamento.
Para pessoas com alergias ou intolerâncias (lactose, glúten, corantes, etc.), a farmácia magistral pode remover ou reduzir componentes que geram desconforto ou risco.
Para quem tem várias doenças ou medicação múltipla, pode-se fazer fórmulas combinadas ou adaptadas, o que facilita o regime terapêutico.
Conclusão
A automedicação pode parecer uma solução rápida, mas é um atalho perigoso. O verdadeiro cuidado com a saúde começa com informação, acompanhamento e responsabilidade no uso de medicamentos.
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Fonte: CONSELHO REGIONAL DE FARMÁCIA DO ESTADO DE SÃO PAULO (CRF-SP). Pesquisa aponta que 77% dos brasileiros têm o hábito de se automedicar. São Paulo, 2024. Disponível em: https://portal.crfsp.org.br/noticias/10535-pesquisa-aponta-que-77-dos-brasileiros-tem-o-habito-de-se-automedicar.html.
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